O Parque Marinho Professor Luiz Saldanha é uma área protegida marinha inserida numa zona de reserva natural, o Parque Natural da Arrábida. Com uma área de proteção de cerca de 53 km2, o PMPLS, serve de abrigo, berçário e zona de alimentação para diversas espécies marinhas, costeiras e oceânicas, residentes ou migratórias, incluindo aves marinhas.
O Parque Marinho Professor Luiz Saldanha oferece um ambiente rico em alimento e proteção para espécies mais icónicas de cetáceos, como os golfinhos-comuns (Delphinus delphis), a espécie mais abundante da costa da Sesimbra.
O golfinho-comum é uma espécie cosmopolita com uma vasta distribuição geográfica, encontrada em diversos oceanos e mares do mundo. Em Portugal, é particularmente abundante na costa atlântica e pode ser observado ao largo da Arrábida, onde as condições ambientais favorecem a sua presença. Os indivíduos de golfinho-comum são relativamente pequenos quando comparados com outras espécies de cetáceos, medindo entre 2,2 e 2,5 metros de comprimento e podendo pesar até 150 quilogramas. O seu corpo hidrodinâmico permite-lhes atingir velocidades impressionantes, sendo frequentemente vistos a nadar e a saltar sobre a ondulação em mar aberto, proporcionando um espetáculo fascinante para quem os observa.
Além do seu aspeto físico marcante, a sua natureza brincalhona e interativa faz com que sejam um dos cetáceos mais apreciados pelos amantes da vida marinha e do ecoturismo. Conhecidos pela sua natureza sociável e curiosa, estes golfinhos gostam de interagir com embarcações, deslizando ao longo das suas proas num fenómeno chamado “bow riding”.
Os grupos de golfinhos-comuns podem variar de pequenos núcleos familiares a grandes agregações que chegam a centenas de indivíduos, dependendo da disponibilidade de alimento e das condições do ambiente marinho. Normalmente, vivem em grupos de 10 a 50 indivíduos, organizando-se em estruturas sociais complexas.
A dieta do golfinho-comum é composta essencialmente por pequenos peixes e cefalópodes, como lulas e polvos. São predadores ágeis e utilizam estratégias sofisticadas de caça, muitas vezes coordenando-se em grupo para cercar cardumes de peixes e capturá-los de forma eficiente.
A sua capacidade de comunicação é notável, recorrendo a uma variedade de sons, como assobios e cliques, que desempenham um papel fundamental na coordenação da caça e na interação social. Além disso, possuem um sistema de ecolocalização altamente desenvolvido, que lhes permite localizar presas e navegar em águas turvas ou durante a noite.
Reconhecidos pela sua agilidade e pelo padrão distinto em forma de ampulheta, estes cetáceos são frequentemente avistados ao largo de Sesimbra, um dos melhores pontos para a sua observação. Passeios de barco na região proporcionam experiências memoráveis, permitindo que os visitantes apreciem o seu comportamento dinâmico e os seus impressionantes saltos sobre as ondas. A proteção do seu habitat e a promoção de práticas de turismo responsável são fundamentais para assegurar a sua preservação e permitir que continuem a encantar aqueles que visitam as águas da Arrábida.
O golfinho-comum desempenha um papel crucial na manutenção do equilíbrio ecológico dos oceanos. Como predadores de topo, ajudam a regular as populações de diversas espécies marinhas, contribuindo para a saúde dos ecossistemas. Além disso, são bioindicadores da qualidade ambiental, sendo a sua presença um sinal positivo da saúde do meio marinho. No Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, a conservação destes cetáceos está diretamente relacionada com a preservação dos habitats costeiros e com a sustentabilidade das atividades humanas, como a pesca e o turismo. A criação de áreas protegidas e a implementação de regulamentos ambientais são fundamentais para garantir a sobrevivência a longo prazo desta espécie na região.